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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro
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Caixa Preta
O poster é legal

O Chamado 2 (The Ring 2/2005) Direção: Hideo Nakata Com: Naomi Watts (Rachel Keller), David Dorfman (Aidan Keller), Simon Baker (Max Rourke), Sissy Spacek (Evelyn), etc
Depois da bem sucedida refilmagem do japonês “Ringu”, tanto em qualidade quanto em bilheteria, era natural que Hollywood preparasse uma continuação para “O Chamado”. O segundo episódio americanizado dessa trilogia japa ganhou vida nas mãos de Hideo Nakata, o diretor original de “Ringu” e “Ringu 2”. Surpreendentemente, o sujeito bagunçou geral a idéia que ele desenvolveu com tanta classe no Japão. “O Chamado 2” é produto descartável e tem tantos furos no roteiro e maneirismos de blockbuster que o espectador mais escolado vai se encolher na poltrona. De vergonha, não de medo.
Os problemas já aparecem no início atrapalhado do filme, que furta ao público qualquer ligação com o remake dirigido por Gore Verbinski em 2002. Parece que o estúdio concluiu que todo mundo que for assistir a “O Chamado 2” já viu o anterior, então qualquer explicação seria desperdício de celulóide. A ausência de uma introdução decente não compromete a compreensão do filme, já que todo o resto se encarrega de desfigurar a história da endiabrada Samara, mas reforça um erro fatal na má direção de Nakata: a sensação de obra feita para consumo rápido.
Vamos à história: após os incidentes sobrenaturais que vitimaram seu ex-marido, a jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) muda-se com o filho Aidan (David Dorfman) para o Oregon em busca de sossego e menos fantasmas. Só que o VHS maldito já andava circulando pela cidade e um adolescente é morto com todas as evidências deixadas nos crimes do filme anterior. Rachel sabe da notícia na redação do jornal onde trabalha, vai à cena do crime, entra numa ambulância sem qualquer discrição e constata que o rapazola morto tem o rosto deformado como toda vítima de Samara. Seu filho – uma das crianças mais chatas de filme de terror em todos os tempos – também começa a ter sinais da presença da menina-fantasma e aí a coisa degringola para mais uma investigação, dessa vez rasa e solitária, de Rachel.
Se em “O Chamado” toda a trama ainda tinha aquele charme de lenda urbana, a fita era um mistério, suas imagens eram perturbadoras e a investigação era bem coerente, nessa continuação dirigida por Nakata, é tudo feito à qualquer nota. Até mesmo um primeiro-anista de faculdade de Cinema sabe que, em se tratando de suspense/terror, vale mais a antecipação que o susto em si. Assustar, aliás, é bem diferente de causar medo de verdade no espectador. “O Chamado 2” só consegue algum êxito em sustos, não em horror de verdade, inclusive porque essa tal antecipação inexiste. É uma cena de terror atrás da outra, a ponto de o espectador ficar esperando que o filme encontre seu eixo e aquilo tudo faça algum sentido. De novo: na refilmagem pilotada por Verbinski (e no próprio "Ringu", de Nakata) existe um interesse em desvender o que há por trás do VHS, e em “O Chamado 2” deveria, pelo menos, haver uma preocupação em mostrar porque Samara não descansa em paz. O máximo que ocorre é o esboço de uma história de espírito que ainda sofre pela falta de amor materno. E olha que isso daria farto material para uma trama com viés um tanto mais psicológico e tratamento melancólico. Nada disso foi levado em conta no filme (o infame "I'm not your fucking mommy!" em suposto clímax resume bem a esculhambação).
E se você pensa que acabou, há mais problemas: efeitos digitais aos montes e usados de forma equivocada (a seqüência dos alces na estrada poderia ser interessante se não fosse feita em Maya) e completo desinteresse em criar cenas atmosféricas (visitas ao manicômio e à antiga casa dos Morgan têm gosto de baunilha). Para arrematar, existem crateras no roteiro (dois personagens morrem e não causam efeito na trama, etc) e uma desconstrução, aparentemente acidental, da personagem Rachel Keller. Se no filme anterior ela parecia esperta, humana e obstinada na dose certa, nessa seqüência ela age em boa parte do tempo como os personagens-clichê de filmes de terror, aqueles que fazem sempre a coisa idiota na hora errada. E um dos pontos de contato com o espectador no cinema fantástico é dar a ele uma ligação com a vida real. Ou se faz isso ou é melhor partir para a abstração completa da realidade. Em “O Chamado 2” não acontece uma coisa nem outra.
 O poster: melhor coisa de "O Chamado 2"
Escrito por Mr Eddy às 04h32
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